Carta ao hospício. David Matos.
Deixaram a porta aberta e eu consegui sair.
E até agora ninguém sentiu falta de mim.
Tentei me esconder de tudo que eu podia.
Só depois que percebi, que as pessoas que se escondiam.
As pessoas aqui fora são tão diferentes,
Não sorriem pra gente. Não sorriem.
Eu vi lixo pelo chão. Letras nas paredes.
Baderna pelas ruas e os calmantes são dados pra gente.
Carros buzinando, pessoas gritam no hospital.
Mau entendimento, e as crianças passam mal.
Dentro de suas casas, não se sentem seguras.
Tem violência nas salas, como tem violência nas ruas.
Indecente não se mova! Deixe a casa solte a moça.
Deite no chão e sinta o gelo! Enfrente agora o seu pior pesadelo.
Falta muito amor pra quem vive aqui dentro.
Os filhos choram muito porque os pais nunca têm tempo.
Dentro de um shopping houve a confusão.
Uma coisa horrível e sem explicação.
E todos que assistiram aquele filme criticou.
Quem saiu vivo pela porta nunca mais voltou.
Um homem bem vestido disse tudo vai mudar.
E um monte de pessoas começou a se matar.
Vi o caos predominando gente sem opção.
Vidas inacabadas por brutal interrupção.
Nenhum comentário:
Postar um comentário